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Especialistas e alunos criticam índice geral de cursos do MEC

postado em 2 de set de 2009 08:42 por Portal OBrasill   [ 2 de set de 2009 08:48 atualizado‎(s)‎ ]

Especialistas e alunos criticam índice geral de cursos

Professores da UnB e da USP e o movimento estudantil afirmam que indicador privilegia instituições menores e privadas


Kennia Rodrigues - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Especialistas da Universidade de Brasília e da Universidade de São Paulo contestam o Índice Geral de Cursos, que avalia as instituições de ensino superior do país. O indicador foi divulgado na segunda-feira, 31 de agosto, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação. A UnB ficou entre as dez melhores universidades e alcançou a 26º posição considerando faculdades, centros e institutos públicos e privados.

O resultado é expresso em valores contínuos, que vão de 0 a 500 e em faixas, com notas que variam de 1 a 5. A UnB obteve índice de pontuação 4, e nota 384. Das dez primeiras colocadas no índice geral, nove são faculdades e institutos voltados para uma área específica e seis são privadas.

Para Jorge Pinho, professor do Departamento de Administração da UnB, as instituições menores acabam sendo beneficiadas no ranking. “Por terem poucos cursos, ou um só, elas podem concentrar mais seus investimentos e o esforço para obter melhores resultados”, critica. “Dessa forma, é mais fácil ser melhor avaliado do que uma universidade como a UnB, por exemplo, que tem dezenas de cursos”, diz.

A decana de Ensino e Graduação da UnB, Márcia Abrahão afirma que o indicador é válido, mas não determina a qualidade das instituições. “Existem muitas instituições com poucos cursos. Das nove universidades que ficaram na nossa frente, por exemplo, pelo menos três tiveram menos cursos avaliados”, pondera.

"É evidente que a universidade com muitos cursos analisados vai apresentar discrepâncias", completa o professor Remi Castioni, da Faculdade de Educação da UnB. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica, por exemplo, só tem cursos na área de Engenharia, com corpo docente muito qualificado.


Jacques Velloso, professor aposentado da Faculdade de Educação, acredita que o índice é um avanço em comparação à antiga forma de avaliação, o Provão. Ele ressalta que universidades, institutos e faculdades não devem ser considerados em uma lista única por serem de naturezas diferentes. “Uma coisa é centro, outra é universidade e outra é instituto. Tanto é que o Inep divulga as listas em separado”, disse. “O índice mede a qualidade e é um instrumento importante, que serve para a sociedade saber como estão as instituições”, avalia.

BOICOTE - A Universidade de São Paulo e a Universidade de Campinas são consideradas instituições de excelência no ensino superior do país. No entanto, não aparecem na lista. Isso porque elas não participam do Enade, que é uma das bases do cálculo do índice. O Conselho de Graduação da USP divulgou, em nota, que não participa do exame porque não tem como “... distinguir entre um eventual desempenho insatisfatório no exame e um possível boicote intencional por parte do aluno.” 

Além disso, a nota informa que outros fatores devem ser considerados importantes no exame, "dentro de um contexto mais amplo de avaliação da qualidade dos cursos de graduação e de instituições de ensino superior."  

“Historicamente somos contra essas avaliações. O Enade não avalia o curso porque as questões são voltadas para o mercado. Por consquência, servem muito mais para manter cursos e universidades mercadológicas”, avaliou Stephano Azzi, do Diretório Central de Estudantes da USP. , um dos coordenadores do DCE da Unicamp é da mesma opinião. André Guerreiro, do DCE da Unicamp tem a mesma opinião: “Os indicadores servem muito mais para a promoção publicitária das particulares que tem um posicionamento razoável no ranking, em prejuízo das universidades públicas”, opina.

O IGC de cada instituição de ensino superior foi apresentado pela primeira vez no ano passado. Para chegar ao índice, o Inep considera a graduação e a pós-graduação. No primeiro caso, é utilizado para cálculo a média dos Conceitos Preliminares de Curso (CPC) da instituição. O CPC tem como base o desempenho dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o quanto o curso agrega de conhecimento ao aluno e variáveis de insumo – corpo docente, infraestrutura e organização didático-pedagógico. Quanto à pós-graduação, o IGC utiliza a nota da Capes.

Fonte: unb.br

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