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Microsoft não consegue escapar à severidade da crise

postado em 4 de set de 2009 09:47 por Portal OBrasill   [ 4 de set de 2009 09:52 atualizado‎(s)‎ ]

Ashlee Vance

A Microsoft, no passado a inexpugnável gigante do setor de computadores pessoais, teve de aprender humildade, tanto como resultado da crise como de problemas pelos quais só pode culpar a si mesma. Na quinta-feira, a maior produtora mundial de software anunciou seu pior ano fiscal desde que abriu seu capital ao público, em 1986. A receita e vendas do exercício para o software Windows, o carro-chefe da empresa, caíram pela primeira vez.

"A Microsoft claramente não está imune à crise econômica", disse Brendan Barnicle, analista de software na Pacific Crest Securities. Muitas empresas proeminentes vinculadas ao setor de computadores registraram perdas de receita da ordem de 25%, devido principalmente ao corte nas compras dos clientes empresariais.

A Microsoft ganha mais dinheiro com o Windows instalado em computadores vendidos a empresas do que com o software mais barato que equipa as máquinas vendidas a consumidores. Caso as empresas voltem a comprar, a companhia deve se beneficiar de uma alta geral nas vendas e lucros. 

Mas nem só os problemas econômicos são culpados pela situação da Microsoft. O Windows Vista, sistema operacional alardeado em 2007 como o mais importante na história da empresa, não conseguiu atrair clientes empresariais de maneira significativa, devido a problemas de compatibilidade e velocidade. 

De acordo com estudo da Forrester Research, 86% dos computadores em uso nas empresas continuam a empregar o Windows XP, lançado oito anos atrás. Os lucros do Windows também caíram devido ao interesse crescente nos pequenos netbooks, que são vendidos com o XP, mais barato, e não com o Vista.

No começo do mês, o Google anunciou que ofereceria um concorrente direto do Windows para o mercado de netbooks, e os fabricantes de computadores apoiaram a iniciativa, que deve colocar a Microsoft sob pressão de preço ainda maior.

A grande questão para a Microsoft é determinar quando as vendas de suas produtos tradicionais, como o Windows e o Office, retornarão, para alimentar suas agressivas incursões a áreas como serviços de buscas, software para celulares e aplicativos online para empresas. 
A queda de 17% na receita da Microsoft no quarto trimestre incomodou Wall Street, gerando queda de mais de 7% nas ações do grupo, para US$ 23,70, depois do anúncio dos números. Para o ano fiscal como um todo, a receita do grupo caiu em 3%, para US$ 58,44 bilhões, e o lucro líquido caiu em 18%, para 14,57 bilhões. 
Do lado positivo, a empresa ecoou recentes comentários da Intel no sentido de que as vendas de computadores aumentaram na Ásia e nos Estados Unidos."Há alguns sinais de que o pior já passou", disse Christopher Liddell, em entrevista telefônica coletiva.




O presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, vem declarando em numerosas aparições públicas que as pessoas não devem esperar uma alta imensa nos gastos com tecnologia quando a economia se recuperar. Ele tem sugerido que os patamares de gastos caíram e as empresas precisam se acomodar a essa nova realidade.


As mancadas da Microsoft no passado recente resultaram em uma postura pública mais cautelosa. Em discurso recente, Ballmer não quis declarar inequivocamente que o lançamento do novo software Windows 7 da companhia, marcado para outubro, geraria alta na venda de computadores e software. "Talvez sim, talvez não", ele disse. "A empresa quer controlar as expectativas quanto ao Windows 7", disse Israel Hernandez, diretor de pesquisa de software na Barclays Capital. "Querem manter as coisas sob controle até que as perspectivas econômicas estejam mais visíveis".

Os comentários mais entusiásticos de Ballmer se referem à persistência da Microsoft. Ele prometeu que a companhia continuará investindo em pesquisa até que consiga desenvolver o software de buscas, para celulares e de virtualização que deseja. A Microsoft investe perto de US$ 10 bilhões ao ano em pesquisa, mais que qualquer outra empresa de tecnologia.

Os analistas alegam que a empresa sobreviveu bem à crise, e registrou lucros em um período no qual prejuízos seriam previsíveis. Afirmam que a Microsoft deve se beneficiar das grandes substituições de computadores que devem acontecer quando as empresas enfim cederem diante da necessidade de adquirir máquinas novas. "O momento deles é excelente", disse Barnicle.

Na recessão, a Microsoft demitiu milhares de funcionários e fez cortes mais profundos do que costuma em sua estrutura de custos. "Para mim, somos uma empresa mais forte do que há um ano", disse Liddell. 

Caso a economia apresente a recuperação esperada no ano que vem, a Microsoft parece bem posicionada para reencontrar seu "pique", como diz Ballmer. A empresa terá reformulado seus produtos tradicionais e vai lançar uma nova geração de software de negócios online. 

A Microsoft já parece confiante o bastante para retomar o diálogo sobre um acordo de buscas e publicidade com o Yahoo, depois de fracassar em sua tentativa de adquirir a empresa, no ano passado. Os rumores sobre uma parceria se intensificaram nas últimas semanas, e algumas pessoas em ambas as empresas acreditam que um acordo possa estar próximo.

Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times


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